Minha cachoeira

22/09/2018

Texto: Erica Azevedo

Em uma trilha para uma cachoeira, naquele sobe e desce sobre as rochas, pequenas, médias, grandes, algumas lisas, outras pontiagudas, algumas cheias de musgo e tantas outras com uma camada de areia fina que faziam deslizar até mesmo os pés mais atentos, mesmo com aquela linda paisagem a me rodear, o céu aberto e o sol na pele, percebi o quanto estava tensa. Caminhar naqueles lugares íngremes, escorregadios e desconhecidos não era tarefa fácil, mas me soava muito recompensador chegar à cachoeira, então segui.

Depois de alguns minutos de caminhada cheguei a uma pequena piscina natural, linda, cheia de cores e sons muito agradáveis devido à vegetação e ao movimento da água, mas a queda d'água da cachoeira, ainda estava um tanto distante, prometia ser o ponto alto do passeio. A partir dali a trilha continuaria por dentro da água, era rasinho, dava para ver o fundo e a água era muito cristalina. Tirando o frio nos pés, o restante parecia tão simples. Era basicamente escolher onde colocar o pé, firmar o mesmo e dar o próximo passo, soava bem mais tranquilo do que a primeira etapa já concluída e assim continuei.

A escolha de onde colocar os pés foi sendo ajustada conforme os escorregões. Após pisar em algumas pedras grandes mais escuras, notei que o musgo contido nelas me fazia escorregar e isso me surpreendeu, pois pensava que a superfície maior me ajudaria a me manter em pé. Vivendo e aprendendo, né? Comecei a evitar essas aí, assim como as pedras grandes muito secas também, imaginava que elas também pudessem ter aquela fina camada de areia escorregadia... Deus me livre!

Um passo após o outro comecei a sentir meus pés doerem muito, uma dor aguda, profunda, as pedras bem pequenininhas tinham os mais diversos formatos e se moviam conforme eu pisava nelas, o que parecia seguro e tranquilo era exatamente o que estava transformando aquela experiência maravilhosa em algo aterrorizante.

A dor era tamanha que se eu não tivesse o desejo de chegar a tão famosa cachoeira, acredito que teria parado e dado meia volta, aquele incômodo não valia a pena sem um objetivo maior, um propósito.

Entre o sol batendo nas costas, a água fria nos pés e a tensão que a dor estava me causando, comecei a buscar formas de me distrair e pensar o que aquela situação toda representava na minha vida. Qual relação do que eu via e sentia poderia ser feita com a minha história?

A cachoeira final era certamente a minha motivação, meu propósito, o que não me faria desistir, era o que tornava suportável a dor. Uma outra motivação era a minha vontade de vencer, era saber que eu conseguiria, independente do caminho que trilhasse.

Ajustando minhas passadas e meus pensamentos comecei a entender que as pedras grandes me lembravam objetivos, metas, sonhos, aqueles que mesmo sendo puros, intensos e verdadeiros, me causam medo, me colocam frente a frente com o meu receio de cair, de falhar. Alguns escorregões meus e de outras pessoas me deixaram mais apreensiva e ali eu começava a observar o surgimento do medo de continuar, medo até de tentar.

E as tais pedras pequenas que tanto ferem? Relacionei cada uma delas como aquelas pequenas coisas que deixo para depois, que não organizo, que tomam meu tempo e causam ineficiência, ou até mesmo a rotina, ou as coisas que faço porque em algum momento acreditei que deveriam ser feitas, mas que não ponderei sobre sua real necessidade, ou as que não combinam exatamente com os meus valores.

As pedras pequenas são o terreno por onde as vezes caminhei para evitar as pedras grandes, a dimensão que dei para as pedras grandes e para o escorregões muitas vezes moldaram a minha jornada e o tamanho das minhas conquistas.

Por vezes o que as pedras grandes representam em nossa cabeça nos tira o foco daquilo que estamos passando diariamente, sem nos dar conta do quanto isso nos fere e sem enfrentá-las continuamos por um caminho tortuoso. Quantas vezes tememos os nossos sonhos por medo de falhar e nos sujeitamos a viver uma vida menor, que nos fere, que fere nossa capacidades, nossa grandeza de realizar?

Analisar as pedras grandes, escolher as que valem a pena colocar os pés, entender por onde começar a escalada, pisar, testar, escorregar, reposicionar, firmar os pés antes de dar o próximo passo, confiar mais nos seus pés e na sua capacidade de análise do que nas pedras, aceitar que alguns imprevistos, talvez alguns sustos e dores fazem parte do processo, mas não aceitar a dor como uma forma de viver.

Também pensei que um calçado apropriado poderia ter me dado a estabilidade de passar pelas pedras pequenas e pelas grandes muito mais facilmente, sem me ferir. O calçado me representou o preparo para passar pelas mais diversas situações.

Sem preparo deixei de conseguir? Não, talvez tenha vivido mais percalços, mais escorregões, inseguranças ou mais medos. Ao mesmo tempo pensei que os medos podem existir independente do preparo e que o excesso de preparo pode ser exagero, por exemplo, uma sapatilha baratinha para andar em água poderia resolver todos os problemas, uma bota super cara especializada para trilhas também resolveria.

Se eu tivesse a sapatilha poderia ter o mesmo resultado do que com a bota? Acredito que sim. Teria a mesma segurança e confiança durante toda a trilha? Talvez não.

Se houvesse uma outra bota mais cara ainda, mais especial ainda, será que ela seria a solução para todos os problemas? Honestamente, não sei. O que eu sei é que algumas pessoas, na mesma situação que eu me encontrava, usariam a existência de botas especializadas como justificativa para não tentar, outras mesmo com a bota mais especial do mundo também não seguiriam a trilha.

Quando a motivação supera as coisas que não são tão positivas e agradáveis, aí sim a gente se supera e segue adiante. Quantas vezes deixei de chegar em alguma "cachoeira" na minha vida porque não encontrei em mim uma motivação forte o suficiente e deixei o caminho me machucar e mostrar mais minhas fraquezas do que as minhas forças?

Chegar à cachoeira foi um lindo presente, tudo valeu à pena, a paisagem, aquela energia jorrando, a dor e o aprendizado. Sei que só cheguei lá porque eu compreendi o meu caminho como uma escolha minha, entendi as dores e medos como parte do processo, senti, pensei em desistir, mas, acima de tudo, eu acreditei no meu propósito, na minha motivação e em mim.

                                                                                                            Texto: Erica Azevedo


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